Esperança Futura


"Todos os limites da terra se lembrarão, e se converterão ao SENHOR; e todas as famílias das nações adorarão perante a tua face. Porque o reino é do SENHOR, e ele domina entre as nações." (Salmos 22.27-28)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O Amor e a Beleza

Não é difícil recordar das várias associações propostas entre o amor e a beleza. Todos dizem, o amor é belo. Ou ainda, não há coisa mais bela que o amor. E de fato, essas associações estão todas corretas. Beleza e amor andam lado a lado. São paralelos que se encontram ao fim como se transversais fossem. Existem como partes complementares de uma única virtude completa. É como as diferentes partes da face de um mesmo rosto. Convivem juntos, com uma e a mesma finalidade, uma mesma pessoa. Ter um e não ter o outro é ter algo pela metade, é deter apenas parte do prazer. Somente a combinação de ambos proporciona o máximo do que se pode obter. Como o amar e ser amado, como a meiga lembrança de uma pessoa e saber que ela também se lembra. Deleitar-se na simples presença do outro, e saber que com isso o outro também se deleita, acariciar a face da pessoa amada e poder, por isso, vislumbrar um sorriso no rosto. Retirar a lágrima que cai lentamente do rosto da pessoa, dar-lhe um beijo e então resgatar-lhe toda a beleza dantes maculada pela tristeza. Com certeza, são muitas as associações entre amor e beleza. O amor e a beleza, ou a beleza e o amor. São todos eles atos puros, simples, triviais até, mas cuja sensação de neles haver amor e beleza existem continuamente.

Mas todos nós sabemos também que um perfeito momento desses é demais complicado. Conforme dizia Aristóteles, encontrar um amigo verdadeiro é difícil. Não é impossível como crêem alguns, mas ainda assim complicado. E se encontrar um amigo é complicado, encontrar o perfeito amigo, a pessoa que se ama acima de todos as outras, essa é ainda mais difícil. As dificuldades são épicas quase. Somente existe um tesouro desses por pessoa, e ele fica guardado a sete chaves. É um alto tesouro, de preço caro, que se evade e nos ilude, mas que nos instiga e nos cativa. Está lá guardado para os mais valentes, heróis da humanidade cujo desejo pelo belo amor vale mais que suas dificuldades. Mas essas mesmas dificuldades de certa forma contribuem para tornar belo todo esse amor. Conseguir, conquistar, tomar posse depois de uma longa e áspera jornada: nada mais gratificante. É a recompensa, o trabalho de nossas mãos, a valia do amor, do amor e de sua beleza.

Interessante de notar, o conceito de beleza nos lembra também da arte. A música, a pintura, a escultura, a dança. Dos gregos, dos renascentistas, dos barrocos, dos impressionistas. Há uma multiforme manifestação do que é belo no tempo, no espaço e no molde. E dizendo assim parece até que é muita coisa. Mas não, não é. O que há de realmente belo é pouco, bem pouco. O belo se encontra escondido, em local de difícil acesso. Às vezes em mãos vulgares ao invés das mãos dos aristocratas, o que engana os melhores perscrutadores. Às vezes em treva em pleno meio dia, para que o que busca o não veja. É difícil a missão, sim, mas sua dificuldade é também parte de sua beleza, de sua beleza e de sua sedução. Achar a perfeita obra de arte é obra complexa, evasiva e excitante, de rastro difícil e quase que sensual, é espiritual mas também carnal. Mas a nossa geração é a geração das facilidades. A graça da conquista dura é substituída por uma cultura da graça por ser fácil. É uma mediocridade explícita. E se encontrar o belo é por si só difícil, encontrar quem queira dele partilhar torna-se ainda pior. Torna-se cada vez mais difícil, mas seu poder de sedução torna-se também cada vez maior.

Mas às vezes parece que ela já está lá. Sim, nossos olhos praticamente já podem ver. Nosso coração bate forte em sua presença, nossa vontade se desperta de sua sonolência, nada pode nos deter naquele momento. Andar um pouco mais a frente, ainda parece um pouco embaçado à nossa visão. Um pouco mais de garra e ânimo e logo estaremos lá. E pronto, à nossa frente está a perfeita obra de arte. Um dos quadros de Leonardo da Vinci, ou talvez uma das pinturas de Michelângelo, ou ainda uma das sinfonias de Beethoven, ou será o fantástico Rembrandt? Qual é, qual é, vem a incessante pergunta à nossa cabeça. Abrimos nossos olhos para ver, ver e dizer. Mas não, nossos olhos embaçados permanecem, cegos estão. Nossos ouvidos nada ouvem, nosso tato nos abandona. É difícil a missão, sim, mas sua dificuldade é também parte de sua beleza, de sua beleza e de sua sedução. Achar a perfeita obra de arte é obra complexa, evasiva e excitante, de rastro difícil e quase que sensual, é espiritual mas também carnal. Sua caça não pode terminar sem antes a encontrar. O deleite é grande demais.

Amigo, definirá Aristóteles, é aquele que se alegra e se entristece junto e igualmente com o outro. Passa pelos mesmos riso, lágrima, júbilo, lástima. Todas as coisas ocorrem ao mesmo tempo e com mesma intensidade. E o perfeito amante, o meu amor, é o auge máximo dessa relação, pessoa quase que idealizada, mas que existe com certeza. Mas o amor destituído de beleza é amor feio, amor pobre, que não possui adequados recursos para bem amar. Ter um e não ter o outro é ter algo pela metade, é deter apenas parte do prazer. Somente a combinação de ambos proporciona o máximo do que se pode obter. Encontrar o perfeito amante é difícil, encontrar a perfeita beleza é difícil, ter a ambos beira o impossível. A pessoa para junto dela admirar o belo, a pessoa para junto dela desfrutar o belo. A pessoa, o amor e a beleza, juntos formando uma unidade a partir da tríade. A união do amor, a beleza cativante, o momento inigualável. O amor, a amante e o amado, nada mais belo. Sim, nada mais belo. Mas talvez haja um equívoco em toda essa interpretação. Ela tem de estar errada.

Não, a perfeita arte não é uma das pinturas, músicas, esculturas ou danças. A perfeita obra das mãos divinas é algo maior, cujas proporções não podem ser medidas. Não pode ela ser tão pequena. Ela é caçada a todo custo, visada pelos grandes românticos, aguarda à espera do real perscrutador. É um fascínio, um delírio constante, uma dificuldade infinita, uma beleza eterna. Essa arte é uma outra arte, tem de ser outra. Ela é também o meu amor, meu perfeito amor, e amor no sentido subjetivo do termo. Sim, é outra. Mas onde está ela? Não se encontra? Mas às vezes parece que ela já está lá. Sim, nossos olhos praticamente já podem ver. Nosso coração bate forte em sua presença, nossa vontade se desperta de sua sonolência, nada pode nos deter naquele momento. Andar um pouco mais a frente, ainda parece um pouco embaçado à nossa visão. Um pouco mais de garra e ânimo e logo estaremos lá. E pronto, à nossa frente está a perfeita obra de arte. Um dos quadros de Leonardo da Vinci, ou talvez uma das pinturas de Michelângelo, ou ainda uma das sinfonias de Beethoven, ou será o fantástico Rembrandt? Qual é, qual é, vem a incessante pergunta à nossa cabeça. Abrimos nossos olhos para ver, ver e dizer.

Sim, nossos olhos agora podem ver, cegos não estão. Nossos ouvidos ouvem, nosso tato sente. Foi difícil a missão, sim, mas sua dificuldade fez também parte de sua beleza, de sua beleza e de sua sedução. Achar a perfeita obra de arte foi obra complexa, evasiva e excitante, de rastro difícil e quase que sensual, foi espiritual mas também carnal. Sua caçada agora terminou, mas não sem antes a encontrar. O deleite é grande demais. E aqui está, com deleite igual ou maior ao imaginado. Sim, valeu a pena, sim, pelo meu amor, pela minha bela amada. Tudo agora está claro, iluminado. A treva do meio dia se foi, os rastros apareceram, estão perceptíveis aos meus sentidos, todos eles. A perfeita arte, o perfeito amor, a perfeita amante, a unidade formada a partir de uma tríade inseparável são, na verdade, uma e a mesma pessoa. Por tanto tempo cacei, por tanto busquei. Mas agora está aqui, bem aqui. Eu a posso ver, mal posso acreditar. Difícil de imaginar! Cheguei a achar que era mero sonho enlouquecido. Mas agora é sonho realizado.

Encontrar o perfeito amante é difícil, encontrar a perfeita beleza é difícil, ter a ambos beira o impossível. Mas ter um e não ter o outro é ter algo pela metade, é deter apenas parte do prazer. Somente a combinação de ambos proporciona o máximo do que se pode obter. E eis que encontrei o máximo, a perfeita combinação. Agora posso partilhar a beleza do pôr do sol, agora posso resgatar a beleza facial ao retirar uma lágrima dos olhos. Minha arte, meu amor, minha amante são, todos eles uma e a mesma pessoa. Eles são você, meu caro e meu belo amor. Sim, eles são você. Cada ato belo, cada uma das belezas que se pode ver, elas não são belas em si mesmas, não são belas por si só, elas são belas em você, e somente em você. És a beleza que se explicita na arte, és o amor que bate em meu coração e és a minha amada que a ambos ajunta. São, todos eles, você, sim, eles são você. Encontrar o perfeito amante é difícil, encontrar a perfeita beleza é difícil, ter a ambos beira o impossível. Mas ter um e não ter o outro é ter algo pela metade, é deter apenas parte do prazer. E somente tendo você que ambos se juntam, que o sol se põe de forma bela, e que minha face se torna jubilosa. Encontrei o que buscava, sim, meu amor e minha beleza. Eu encontrei você.

Diogo.

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