Eclesiologia é a disciplina da teologia que estuda a Igreja.
A palavra traduzida por “Igreja” no Novo Testamento vem do grego “Ekklesia”, que é uma palavra formada por dois termos. O primeiro é “Ek”, que significa “para fora”. O segundo é “Klesia”, que significa “chamados”. Assim, a palavra Igreja, a princípio, significa “chamados para fora [do mundo]”.
Mas essa palavra possui dois sentidos no Novo Testamento. O primeiro desses dois sentidos está relacionado a um agrupamento de cristãos. Normalmente se diz que esta é a igreja visível. Vejamos o que diz Gálatas 1.1-2:
“Paulo, apóstolo, não da parte de homens, nem por intermédio de homem algum, mas por Jesus Cristo e Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos, e todos os irmãos meus companheiros, às igrejas da Galácia,”
O segundo desses dois sentidos está relacionado à totalidade das pessoas salvas por Jesus Cristo na cruz. Normalmente se diz que esta é a igreja invisível. Vejamos o que diz Efésios 5.25:
“Maridos, amai a vossa mulher, como também Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela,”
Em ambos os casos, o termo “Igreja” não se refere a edifícios, e, sim, a pessoas.
Parte 2 – Títulos Atribuídos à Igreja.
Vejamos agora alguns títulos bíblicos atribuídos à Igreja para que entendamos melhor o que é a Igreja.
O primeiro título é o de “povo de Deus”. Esse título faz uma distinção entre um povo, que Deus ama especialmente, e os demais povos, pelos quais Deus não tem o mesmo amor. Vejamos 1 Pedro 2.10:
“vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.”
O segundo título é o de “corpo de Cristo”. Esse título carrega duas idéias. Em primeiro lugar, a idéia de unidade orgânica da Igreja junto a Cristo. Em segundo lugar, a idéia de liderança de Cristo sobre a Igreja. Vejamos 1 Coríntios 12.27:
“Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo.”
O terceiro título é o de “noiva [do Cordeiro]”. Esse título carrega duas idéias. Em primeiro lugar, a idéia de fidelidade da Igreja a Cristo. Em segundo lugar, a idéia de submissão a Cristo. Vejamos Isaías 62.5:
“Porque, como o jovem desposa a donzela, assim teus filhos te desposarão a ti; como o noivo se alegra da noiva, assim de ti se alegrará o teu Deus.”
O quarto título é o de “família de Deus”. Esse título carrega a idéia da adoção, que se deu por meio da redenção de Cristo. Vejamos Efésios 2.19:
“Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus.” O quinto título é o de “casa de Deus”.
Esse título carrega a idéia de local onde Deus se faz especialmente presente. Vejamos 1 Timóteo 3.15:
“para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade.”
O sexto título é o de “rebanho de Deus”. Esse título carrega a idéia de que Cristo é o nosso bom pastor, que não deixará a Igreja se perder. Vejamos 1 Pedro 5.2:
“pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade;”
O sétimo título é o de “Israel de Deus”. Esse título carrega a idéia de que há um só povo de Deus, o qual Deus sempre amou, de forma especial. Vejamos Gálatas 6.16:
“E, a todos quantos andarem de conformidade com esta regra, paz e misericórdia sejam sobre eles e sobre o Israel de Deus.”
O oitavo e nono títulos são: “lavoura de Deus” e “edifício do Senhor”. Eles estão no mesmo texto. Ambas as idéias estão relacionadas à idéia da Igreja como organismo. Lavoura, se relacionando à idéia da semente da palavra, e edifício, se relacionando à idéia da habitação do Senhor. Vejamos 1 Coríntios 3.9:
“Porque de Deus somos cooperadores; lavoura de Deus, edifício de Deus sois vós.” O décimo título é “filhos de Deus”.
Esse título carrega a idéia de adoção do cristão na família de Deus. Vejamos 1 João 3.2:
“Amados, agora, somos filhos de deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.”
Parte 3 – Atributos da Igreja.
A Igreja possui quatro atributos ou características.
Na Igreja Invisível, esses atributos se manifestam em sua plenitude, enquanto que na Igreja Visível, apenas parcialmente.
O primeiro atributo da Igreja é a Unidade. A Igreja Invisível é uma perfeita unidade, enquanto que a Igreja Visível se encontra dividida. Vejamos João 17.21:
“a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.”
O fundamento da unidade da Igreja é o Espírito Santo de Deus. Vejamos Efésios 4.2-4:
“com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação;”
A unidade da Igreja é alcançada através da perseverança doutrinária. Vejamos 1 Coríntios 1.10:
“Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma cousa e que não haja entre vós divisões; ante, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer.”
O segundo atributo da Igreja é a Santidade. A Igreja Invisível é santa, enquanto que a Igreja Visível possui pecados. Vejamos Colossenses 3.12:
“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade.”
O fundamento da santidade da Igreja é a santidade de Deus. Vejamos 1 Pedro 1.16:
“porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.”
A santidade da Igreja é alcançada através da obra santificadora do Espírito Santo. Vejamos Tessalonicenses 2.13:
“Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade,”
O terceiro atributo da Igreja é a Universalidade. A Igreja Invisível é universal, enquanto que a Igreja Visível é local. Vejamos João 3.16:
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna."
O fundamento da universalidade da Igreja é a existência de discípulos em todas as nações. Vejamos Mateus 25.32-34:
“e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.”
A universalidade da Igreja é alcançada através da pregação do Evangelho a todas as nações. Vejamos Mateus 28.19:
“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;”
O quarto atributo da Igreja é a Apostolicidade. A Igreja Invisível é perfeitamente apostólica, enquanto que a Igreja Visível possui dificuldades doutrinárias. Vejamos Efésios 2:20:
“edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular;”
O fundamento da apostolicidade da Igreja é a transmissão do evangelho de Cristo aos Apóstolos. Vejamos Gálatas 1.11-12:
“Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus cristo.”
A apostolicidade da Igreja é alcançada mediante perseverança doutrinária. Vejamos Atos 2.42:
“E perseveraram na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.”
Parte 4 – Marcas Distintivas da Verdadeira Igreja.
São três as marcas distintivas da verdadeira Igreja: pregação da sã doutrina, correta ministração dos Sacramentos e exercício da disciplina bíblica.
A pregação da sã doutrina consiste na exposição correta do evangelho de Jesus Cristo, e é a marca mais importante de todas. Vejamos Marcos 1.14-15:
“Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho de Deus, dizendo: o tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho.”
A pregação de qualquer outro evangelho é amaldiçoada. Vejamos Gálatas 1.8:
“Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que os temos pregado, seja anátema.”
A ministração correta dos sacramentos consiste em administrar os sacramentos com a forma e com o significado expostos na Bíblia. Vejamos 1 Coríntios 11.23-24:
“Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.”
A ministração incorreta dos Sacramentos é condenada, não transmitindo a graça que o Sacramento simboliza. Vejamos 1 Coríntios 11.20-21:
“Quando, pois, vos reunis no mesmo lugar, não é a ceia do Senhor que comeis. Porque, ao comerdes, cada um toma, antecipadamente, a sua própria ceia; e há quem tenha fome, ao passo que há também quem se embriague.”
O exercício da disciplina bíblica consiste na aplicação da correção ao irmão que pecou. Vejamos Gálatas 6.1:
“Irmãos, se alguém dentre vós for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado.”
A ausência de disciplina bíblica é condenada. Vejamos 1 Coríntios 5.1-2:
“Geralmente, se ouve que há entre vós imoralidade e imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios, isto é, haver quem se atreva a possuir a mulher de seu próprio pai. E, contudo, andais vós ensoberbecidos e não chegastes a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou?”

Nenhum comentário:
Postar um comentário